Pregado ou amarrado à cruz, o condenado morria por asfixia após horas. O peso do corpo era geralmente suportado pelos braços, e a cabeça, pendente sobre o peito, dificultava ainda mais a respiração – a musculatura abdominal não era suficiente para mantê-la, devido ao peso que suportava. Em algumas versões, os pés também eram pregados, o que aumentava o tempo de sofrimento e adiava a morte – historiadores contam que, em casos em que o condenado demorava a morrer, os soldados do reino acusador quebravam-lhe as pernas, para que somente os braços recebessem o peso do corpo, ou simplesmente cravavam uma lança ou espada em seu peito.
Muitos acreditam que o método foi criado na Pérsia, levado ao Ocidente na época de Alexandre, o Grande, depois copiado pelos cartagineses e romanos. O horror que a cena despertava era usado como estratégia de intimidação.
O sacrifício de Jesus
No Gólgota, Cristo foi pregado pelas mãos e pés na cruz, depois erguida e cravada no chão. Como demorava a morrer, uma lança lhe foi cravada por um soldado.
Entre os judeus, também era costume pendurar os condenados a árvores.
Outros crucificados
Jesus é o mais lembrado por sua execução na cruz, mas outros personagens bíblicos e históricos tiveram seu fim do mesmo modo.
Em 283 antes de Cristo (a.C.), um líder mercenário gaulês a serviço de Cartago, Autarito, líder da Guerra dos Mercenários. Revoltado em relação ao seu contratante, lutou contra as tropas do general cartaginês Amílcar, que o capturou em um desfiladeiro. Foi crucificado com seus aliados Espêndio e Zarza diante das muralhas de Túnis.
Bessus era nobre que se tornou rei da Pérsia por ter matado o monarca anterior, Dario III, para quem trabalhava contra as tropas de Alexandre, o Grande, da Macedônia. Usurpou o trono de Dario e assumiu o nome de Ataxerxes V. Quando Alexandre decidiu conquistar o reino e suas tropas já chegavam bem perto, o próprio povo de Ataxerxes o capturou e entregou ao rei macedônio. Foi crucificado no local em que matou Dario, após ter o nariz e as orelhas cortados.
A maior crucificação noticiada ocorreu em 71 a.C, em Roma. Naquele ano, mais de 200 mil escravos levantaram-se em revolta, chefiados pelo mais célebre deles, Espártaco, o gladiador. Quando o levante foi vencido, os romanos executaram mais de 6 mil revoltosos em um só dia. A história foi contada no cinema no épico “Spartacus” (1960), de Stanley Kubrick , protagonizado por Kirk Douglas.